A mente e o idoso
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A mente e o idoso

Alterações cognitivas na terceira idade

Um dos principais receios associados ao envelhecimento está relacionado com a diminuição da memória e do funcionamento cognitivo.
O termo cognição apresentar inúmeras definições, contudo é definido como a capacidade do indivíduo adquirir e usar informação, com a finalidade de conseguir adaptar-se as modificações do meio ambiente. Associado ao termo cognição, está o processo de memória e atenção, ou seja, é o conjunto de processos mentais que permite elaborar a informação recebida do meio envolvente e utilizá-la para dar resposta às nossas necessidades, promovendo a adaptação do indivíduo com o meu envolvente.
Durante o processo normal de envelhecimento, com a idade, algumas das capacidades cognitivas podem diminuir (OMS, 2005).
A funcionalidade cognitiva nos idosos está relacionada à saúde e qualidade de vida, é considerada como um indício importante de envelhecimento ativo e de longevidade (Gazzaniga, Ivry & Mangun, 2006).
Os estudos desenvolvidos sobre esta temática na população com mais de 60 anos, demonstram que o declínio provocado pelo envelhecimento manifesta-se em tarefas que exigem rapidez, atenção, construção e raciocínio indutivo.

Envelhecimento e desempenho cognitivo

Os estudos desenvolvidos demonstram que se atinge o pico de aptidões cognitivas por volta dos 30 anos, mantém-se estáveis até aos 50-60 anos, a parir daí começam a diminuir. A partir dos 70 anos o declínio é mais acelerado. Tendo em conta que o grupo da terceira idade é bastante heterogéneo, o declínio do funcionamento cognitivo não é uniforme.
No que respeita a capacidade de comunicar, esta mantém-se estável ao longo de toda a vida adulta. Apesar das pessoas idosas terem maior dificuldade em compreender mensagens longas e complexas e em reproduzirem nome ou termos específicos. Em termos de discurso é mais repetitivo.
Evidencia-se uma dificuldade acrescida mas tarefas de raciocínio. Na realização de tarefas que implicam planear, executar e avaliar, os idosos são mais lentos, comparativamente aos jovens. Os idosos são mais lentos nos aspetos preceptivos, mnésicos, cognitivos e nas funções motoras.
As aptidões visuais em relação ao espaço, os idosos têm dificuldade em reconhecerem e reproduzirem formas complexas ou que não lhe sejam familiares, mas mantêm a capacidade de reconhecerem os lugares e as caras que lhe são familiares e de reproduzirem formas geométricas vulgares.
As pessoas mais velhas mantêm a mesma capacidade de atenção dos jovens, no entanto apresentam dificuldades em filtrarem informação ocasional, em dividirem a atenção por várias tarefas ou desviarem a atenção de um para outro aspeto.
A inteligência mantem-se estável durante maior parte da vida adulta. O vocabulário, a capacidade de acesso à informação e a compreensão, também, não são muito prejudicados com o passar dos anos.

Fatores que podem influenciar o funcionamento cognitivo

As mudanças que ocorrerem durante o processo de envelhecimento não são devidas exclusivamente à passagem do tempo, mas também a outros fatores.


Fatores biológicos
Com o avançar da idade, ocorrem alguns deficits sensoriais, nomeadamente ao nível da visão e da audição (dificuldades na distinção das cores, de focagem e capacidade de ouvir em lugares com ruídos de fundo), que podem traduzir-se em algumas dificuldades cognitivas.
As alterações neuronais, como a perda de neurónios ou o mau funcionamento do mesmo, que ocorrem do processo normal de envelhecimento, ou que também, podem ser desencadeadas por outras doenças (AVC, stress, abuso de álcool e drogas).
A herança genética, onde mais de 50% da variabilidade cognitiva na terceira idade, provém dos fatores genéticos.
As tendências cognitivas no envelhecimento são semelhantes nos dois sexos, porém as mulheres relevam défices em tarefas espaciais numa idade inferior à dos homens e os homens podem mostrar défices em tarefas verbais numa idade inferior à das mulheres.


Fatores pessoais
A escolaridade tem efeitos importantes no funcionamento cognitivo e na estrutura cerebral, funcionando como um protetor da deteorização cognitiva.
A história pessoal determina quais as competências que temos mais desenvolvidas, normalmente são as que mais praticamos ao longo da vida. Um estilo de vida estimulante poderá ter impacto positivo na cognição durante o envelhecimento. Um estilo de vida fisicamente ativo, que inclui o exercício físico e participação em atividades sócio recreativas, estimulam a mente e mantem-na ativa, contribuindo para um melhor funcionamento cognitivo e bem-estar.
A prática de exercício físico é um dos fatores mais importantes para o envelhecimento ativo, estando associado a um bom funcionamento cognitivo.
O funcionamento cognitivo pode, ainda, influenciado negativamente por algumas doenças ou medicação.


Fatores sociais
Com a entrada na reforma, assiste-se à finalização da atividade profissional, que é uma fonte de estimulação. Também, verifica-se uma diminuição dos contatos com os colegas de trabalho, o que leva a que a rede social seja mais restrita. Este fatores podem contribuir para uma diminuição da participação em atividades, leva a que a pessoa reduza a sua atividade mental.
As condições socioeconómicas podem funcionar como fatores protetores do declínio cognitivo a longo prazo. Melhores condições sociais e económicas, podem facilitar o acesso a uma instrução mais prolongada, recursos mais estimulantes e melhores cuidados de saúde.

Como manter a mente ativa?



Socializar
Participar em atividades sociais promovidas pela comunidade contribui para uma melhoria do humor e da memória. Ao conhecer novas pessoas e fortalecer a relação com as pessoas que já conhece, ajuda a treinar a resolução de problemas e aumentar a flexibilidade de pensamento, participando em atividades que proporcionam prazer.


Praticar atividade física
Praticar atividade física é benéfico em qualquer idade. A prática de exercício físico regular contribui positivamente para a memória, capacidades de raciocínio e tempo de reação.
Os estudos demonstram que a prática de atividade física contribui para uma boa circulação sanguínea cerebral e para os bons resultados em testes cognitivos.


Alimentação
É importante que a alimentação seja saudável, variada e equilibrada. Tal como o corpo a mente também precisa de ser alimentada, um plano alimentar bem estruturado deve respeitar a roda dos alimentos, contribuindo para a preservação da memória. Os alimentos de eleição para o funcionamento cognitivo são a batata, cereais e derivados, que depois de metabolizados, ajudam a manter os níveis normais de açúcar no sangue, possibilitando a chegada da glicose ao cérebro. Uma boa hidratação também é essencial para um bom funcionamento cognitivo.


Sono
Uma boa higiene do sono é fundamental para uma vida saudável, em especial para o bom funcionamento da mente. A qualidade do sono deteriora-se com a idade: os mais velhos tem mais probabilidade de relatar despertares noturnos frequente, são facilmente acordado e tem um sono leve. As perturbações do sono nos idosos podem interferir na sua saúde e funcionamento físico, social e psicológico.
Uma boa higiene do sono pode ser conseguida através:
• Dormir apenas o tempo necessário para se sentir descansado;
• Crie uma rotina, acordar sempre no mesmo horário e deitar sempre à mesma hora de forma a regular o ciclo circadiano (ciclo do sono);
• Evite dormir durante o dia, mesmo que tenha insónias durante a noite;
• Prática regular de atividade física ajuda a regular o ciclo circadiano. Evitar fazer exercícios perto da hora de dormir, o melhor horário para a prática de exercício físico é de manha;
• Deve dormir num local calmo e sem barrulho;
• Tome banho quente antes de dormir;
• Evite ingerir qualquer tipo de estimulante (café, chá preto, chá verde, entre outros) depois das 18horas;
• Evite fazer atividades muito estimulantes antes de dormir (ver filmes de ação, jogar no computador).


Ler
Dedicar algum tempo diário à leitura, é um hábito que deve ser cultivado. Ler livros, jornais, revistas ou mesmo artigos da internet, estimula o vocabulário, a imaginação e a memória. É aconselhável ler em voz alta, uma vez que, estimula mais a mente. No caso dos jornais e revistas costumam trazer passatempo, palavras cruzadas, diferenças, sudoku, sopa de letras, que são, também, excelentes estimulantes cognitivos.


Conclusão
Uma mente sã é fundamental em todas as idades, principalmente durante o envelhecimento, que ocorrem inúmeras mudanças biológicas, afetando o funcionamento cognitivo. Muitas das dificuldades mentais recorrem do desuso da mente, que deverá ser exercitada tal como o corpo, permitindo continuar a funcionar adequadamente.


Azevedo, M.J., & Teles, R. (2011). Revitalize a sua mente. In. O. Ribeiro & Paúl, C. (Coord.). Manual do Envelhecimento Activo (pp. 13-37). Lisboa: Lidel

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